terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Literatura na Vida dos Autores e da Sociedade. - Eça de Queirós.


           José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845, em Póvoa de Varzim, em Portugal. Com a morte dos avôs, foi estudar na cidade de Porto, entrou na tradicional Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1861. Tentou a carreira de advogado, mas por pouco tempo (1870). Ingressando na carreira diplomática em 1870, serviu em Havana, Bristol (Inglaterra) onde conheceu Ramalho Ortigão, que lhe ensinou Frances e a gostar de literatura. Juntos escrevem o romance O Mistério da Estrada de Sintra (1871). Finalmente em Paris, aos 40 anos, casasse com D. Emília de Castro Pamplona com quem tem quatro filhos. Em 1866, dedicando-se mais à literatura, colaborou na redação de "A Gazeta de Portugal" e participou dos debates literários na revista Portugal com a ajuda dos homens mais célebres de letras do seu tempo. Suas produções mais criticadas, em relação a Portugal, são as das décadas de 1870 e 1880. Considerado um dos grandes escritores portugueses de todos os tempos, Eça viveu mais da metade da vida fora do país natal, sem nunca deixar de refletir sobre ele. Eça de Queiros morreu aos 55, em agosto de 1900.
Buscando métodos seguros, menos subjetivos e sentimentais para expressar a realidade, Eça preparou uma série de novelas com as quais faria uma análise crítica da sociedade portuguesa. Muitas obras escritas pelo autor até o fim da vida nasceram dessa motivação e através de Ramalho Ortigão que mostrou e influenciou-o a literatura. No Romantismo ao invés de estudar o homem, Eça inventava-o e estudava-o à realidade social, toda diferença entre o Idealismo e o Naturalismo está nisso. O primeiro falsifica, e o segundo verifica. A principal influência literária da fase naturalista de Eça de Queiroz é atribuída aos escritores franceses Émile Zola, maior expoente do Naturalismo, e Gustave Flaubert, cuja obra lhe apontou os caminhos de saída da Literatura romântica.
            Seus primeiros romances, O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio, são marcados pelo naturalismo, movimento que animou a produção literária do Ocidente no final do século XIX, foi muito influenciado pelas transformações científicas, filosóficas e sócias do período, que enfatiza o determinismo social para explicar a trajetória dos personagens. A sociedade da época e de hoje em dia são influenciadas pelas obras de Eça que mostravam a realidade e o conflito entre a família, como por exemplo, nas obras O Primo Basílio, O Crime do Padre Amaro e Os Maias, pois todas essas obras tinham um fundo real.
A partir de Os Maias (1888), suas obras se afastam da estética naturalista. O narrador passa a ser mais complexo do que nos primeiros livros, pois, em vez de simplesmente relatar os fatos e pensamentos de forma objetiva, entra na consciência dos personagens. Isso é novo para os padrões do realismo da época. As últimas obras de Eça, como A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras, manifestam no mundo moderno e um desejo de retorno às origens.
Por fim, Eça de Queirós é o representante maior da prosa realista em Portugal. Grande renovador do romance abandonou a linha romântica, e estabeleceu uma visão critica da realidade. Afastou-se do estilo clássico, que pendurou por muito tempo na obra de diversos autores românticos, deu a frase uma maior simplicidade, mudando a sintaxe e inovando na combinação das palavras. Evitou a retórica tradicional e os lugares comuns, criou novas formas de dizer, introduziu neologismos e, principalmente utilizou o adjetivo de maneira inédita e expressiva. 

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