José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845, em
Póvoa de Varzim, em Portugal. Com a morte dos avôs, foi estudar na cidade de
Porto, entrou na tradicional Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra,
em 1861. Tentou a carreira de advogado, mas por pouco tempo (1870). Ingressando
na carreira diplomática em 1870, serviu em Havana, Bristol (Inglaterra) onde
conheceu Ramalho Ortigão, que lhe ensinou Frances e a gostar de literatura.
Juntos escrevem o romance O Mistério da Estrada de Sintra (1871). Finalmente em
Paris, aos 40 anos, casasse com D. Emília de Castro Pamplona com quem tem
quatro filhos. Em 1866, dedicando-se mais à literatura, colaborou na redação de
"A Gazeta de Portugal" e participou dos debates literários na
revista Portugal com a ajuda dos homens mais célebres de letras do
seu tempo. Suas produções mais criticadas, em relação a Portugal, são as das
décadas de 1870 e 1880. Considerado um dos grandes escritores portugueses de
todos os tempos, Eça viveu mais da metade da vida fora do país natal, sem nunca
deixar de refletir sobre ele. Eça de Queiros morreu aos 55, em agosto de 1900.
Buscando métodos seguros, menos
subjetivos e sentimentais para expressar a realidade, Eça preparou uma série de
novelas com as quais faria uma análise crítica da sociedade portuguesa. Muitas
obras escritas pelo autor até o fim da vida nasceram dessa motivação e através
de Ramalho Ortigão que mostrou e influenciou-o a literatura. No Romantismo ao
invés de estudar o homem, Eça inventava-o e estudava-o à realidade social, toda
diferença entre o Idealismo e o Naturalismo está nisso. O primeiro falsifica, e
o segundo verifica. A principal influência literária da fase naturalista de Eça
de Queiroz é atribuída aos escritores franceses Émile Zola, maior expoente do
Naturalismo, e Gustave Flaubert, cuja obra lhe apontou os caminhos de saída da
Literatura romântica.
Seus primeiros romances, O Crime
do Padre Amaro e O Primo Basílio, são marcados pelo naturalismo, movimento
que animou a produção literária do Ocidente no final do século XIX, foi muito
influenciado pelas transformações científicas, filosóficas e sócias do período,
que enfatiza o determinismo social para explicar a trajetória dos personagens.
A sociedade da época e de hoje em dia são influenciadas pelas obras de Eça que mostravam
a realidade e o conflito entre a família, como por exemplo, nas obras O Primo
Basílio, O Crime do Padre Amaro e Os Maias, pois todas essas obras tinham um
fundo real.
A partir de Os
Maias (1888), suas obras se afastam da estética naturalista. O narrador
passa a ser mais complexo do que nos primeiros livros, pois, em vez de
simplesmente relatar os fatos e pensamentos de forma objetiva, entra na
consciência dos personagens. Isso é novo para os padrões do realismo da época.
As últimas obras de Eça, como A Ilustre Casa de Ramires e A
Cidade e as Serras, manifestam no mundo moderno e um desejo de retorno às
origens.
Por fim, Eça de Queirós é o
representante maior da prosa realista em Portugal. Grande renovador do romance
abandonou a linha romântica, e estabeleceu uma visão critica da realidade.
Afastou-se do estilo clássico, que pendurou por muito tempo na obra de diversos
autores românticos, deu a frase uma maior simplicidade, mudando a sintaxe e
inovando na combinação das palavras. Evitou a retórica tradicional e os lugares
comuns, criou novas formas de dizer, introduziu neologismos e, principalmente
utilizou o adjetivo de maneira inédita e expressiva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário