terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Literatura na Vida dos Autores e da Sociedade. - Camilo Castelo Branco.


       Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, em 16 de Março de 1825. Ficou órfão cedo e foi criado por parentes, com crises e dificuldade na infância e adolescência. Casou-se aos 16 anos, mas rapidamente abandonou a mulher e foi para o Porto, onde iniciou um curso de medicina (1844) e direito em Coimbra (1845), mas viu que ainda não era o que queria e desistiu. Cursou jornalismo (1848) e, dois anos depois, matriculou-se no seminário do Porto (1850), que logo trocou a vida pela leitura de escritores franceses. Apaixonou-se por Ana Augusta Plácido, uma mulher casada, que também apaixonada largou do marido para viver com ele, por sinal acabam sendo presos por adultério (1861). Após serem libertos viveram de literatura, quase cego e com um filho louco, além dos problemas financeiros, suicidou-se com um tiro, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão.
Romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta, tradutor, é um dos melhores Romancistas em Portugal. Teve uma vida de desventuras amorosas, impulsos, paixões, romantismo e agindo sem muita reflexão. Leu várias obras da literatura Francesa e através desses fatos que serviu de inspiração para alguma de suas obras literárias. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver de seus livros literários, que se traduziu em mais de duzentos e sessenta escritos, que nunca prejudicou a dimensão da sua obra, de referência na literatura portuguesa. Pelo realismo do diálogo, sua obra tem intenção sociológica, mas, por outro lado, trata-se do ultrarromantismo nos temas de características psicológicos e amorosos, obras inteiramente criadas em torno de romances e novelas.
Na obra Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco mostra uma visão mais ampla da sociedade de sua época, como por exemplo, a moral vigente. Discute a questão do casamento por encomenda, onde o casamento estava mais voltado para um acordo financeiro do que propriamente para a busca da felicidade. Discute-se, ainda o poder da burguesia que tem força para mudar as leis, a seu bel-prazer. Isso fica evidenciado no episódio da prisão de Simão, quando seu pai procura salvá-lo da morte usando todo seu prestígio. A sociedade é vista de forma crítica, Camilo denuncia a hipocrisia burguesa e a igreja é vista de forma negativa, que se pode perceber quando Teresa pensa que vai encontrar a salvação no convento, mas se depara com a falsidade, com as intrigas e, sobretudo, com os vícios das freiras. Nessas passagens, já podemos perceber certa influencia do movimento realista, o qual já se firmava no resto da Europa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário