Camilo
Castelo Branco nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, em 16 de Março de 1825. Ficou
órfão cedo e foi criado por parentes, com crises e dificuldade na infância e
adolescência. Casou-se aos 16 anos, mas rapidamente abandonou a mulher e
foi para o Porto, onde iniciou um curso de medicina (1844) e direito em Coimbra
(1845), mas viu que ainda não era o que queria e desistiu. Cursou jornalismo
(1848) e, dois anos depois, matriculou-se no seminário do Porto (1850), que
logo trocou a vida pela leitura de escritores franceses. Apaixonou-se por Ana
Augusta Plácido, uma mulher casada, que também apaixonada largou do marido para
viver com ele, por sinal acabam sendo presos por adultério (1861). Após serem
libertos viveram de literatura, quase cego e com um filho louco, além dos
problemas financeiros, suicidou-se com um tiro, em São Miguel de Seide, Vila
Nova de Famalicão.
Romancista,
cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta, tradutor, é um dos melhores
Romancistas em Portugal. Teve uma vida de desventuras amorosas, impulsos,
paixões, romantismo e agindo sem muita reflexão. Leu várias obras da literatura
Francesa e através desses fatos que serviu de inspiração para alguma de suas
obras literárias. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver de seus
livros literários, que se traduziu em mais de duzentos e sessenta escritos, que
nunca prejudicou a dimensão da sua obra, de referência na literatura
portuguesa. Pelo realismo do diálogo, sua obra tem intenção sociológica,
mas, por outro lado, trata-se do ultrarromantismo nos temas de características psicológicos
e amorosos, obras inteiramente criadas em torno de romances e novelas.
Na
obra Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco mostra uma visão mais ampla da
sociedade de sua época, como por exemplo, a moral vigente. Discute a questão do
casamento por encomenda, onde o casamento estava mais voltado para um acordo
financeiro do que propriamente para a busca da felicidade. Discute-se, ainda o
poder da burguesia que tem força para mudar as leis, a seu bel-prazer. Isso
fica evidenciado no episódio da prisão de Simão, quando seu pai procura
salvá-lo da morte usando todo seu prestígio. A sociedade é vista de forma
crítica, Camilo denuncia a hipocrisia burguesa e a igreja é vista de forma
negativa, que se pode perceber quando Teresa pensa que vai encontrar a salvação
no convento, mas se depara com a falsidade, com as intrigas e, sobretudo, com
os vícios das freiras. Nessas passagens, já podemos perceber certa influencia
do movimento realista, o qual já se firmava no resto da Europa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário